Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Tragédias

Tragédias acontecem. Não é um mero conformismo, é a natureza do Universo. Aliás, segundo as principais teorias, o próprio Universo é o resultado de uma, ou melhor, A explosão. Com certeza uma gigantesca tragédia. 

A partir daí, sabe-se lá quantas tragédias aconteceram, quantos planetas com futuro promissor foram destruídos, quantos meteoros acabaram com a vida ou espécies nos mais desenvolvidos pontos do cosmo. Sabe-se lá quantas espécies surgiram e desapareceram, quantas montanhas e paisagens espetaculares se formaram e evaporaram-se sem deixar vestígios antes que nós, os seres humanos, pudéssemos estar aqui. 

A impressão que toma conta de nós é que tudo o que aconteceu antes era na verdade uma preparação para que surgíssemos, crescêssemos, construíssemos, consumíssemos, destruíssemos e morrêssemos. A sensação é de que o universo só explodiu, cresceu, destruiu, gerou, fundiu, queimou, resfriou, brilhou, escondeu, comprimiu e desenvolveu para que no final das contas, o resultado fôssemos nós.

Não sei como dizer isto sem ofender, mas não somos o resultado: somos meros operadores desta equação gigantesca. 

Não sei qual é afinal de contas o resultado. Ninguém sabe. Aliás, seria muita prepotência de nós, meros operadores, acharmos que realmente sabemos o resultado. Como operadores, fazemos nosso trabalho muito bem, adicionando, subtraindo, multiplicando, dividindo (nem tanto), (des)integrando... 

E enquanto isto, o Universo continua o seu trabalho, com sua "vontade própria". Temporais, terremotos, maremotos, furacões, desemprego, recessão, quedas nas bolsas... Isto não está acontecendo por que devemos ser castigados. Isto acontece por que o Universo segue o seu fluxo de tragédias, sem se importar com o que pensamos. E se fazemos tanta questão de ajudar o Universo com a poluição, desmatamento, consumo sem medidas, caça esportiva, as tragédias vão seguir para o ponto que encontrar menos resistência. E azar de nós que temos a consciência de estarmos vivos...

Talvez eu não esteja sendo claro o suficiente. As tragédias naturais que vemos acontecer a todo momento como as enxurradas em Santa Catarina (Nov/2008) são parte do fluxo do Universo, possivelmente com uma pequena ajuda do homem. A recessão econômica mundial de 2007/2008, assim como outras recessões, são parte do fluxo do Universo, com absolutamente toda a ajuda do homem, já que a economia em geral É uma invenção do homem (mas faz parte do Universo, de qualquer forma). A situação de fome que vemos na Somália é mais uma onda do fluxo do Universo, e, claro, com uma boa e generosa ajuda do homem. 

Estas são realidades que afetam a nós, somente a nós, seres vivos e conscientes. São realidades que nos machucam os olhos ao ver as imagens de destruição e desnutrição, os ouvidos ao ouvir as palavras amargas de ódio, a pele ao sentir a frieza dos nossos atos e da indiferença do Universo perante nós e o coração ao ver um familiar ou amigo próximo partir. São realidades que vão continuar acontecendo, possivelmente com formatos diferentes, queiramos ou não. Pessoas continuarão a morrer, espécies continuarão a desaparecer, o sofrimento continuará existindo. As tragédias continuarão a acontecer. E a passar também. O Universo seguirá em frente. A vida continuará aqui na Terra (pelo menos por enquanto).
 
Mas, de uma vez por todas, cabe a nós decidir se queremos realmente assumir as conseqüências de ajudar o Universo a criar as tragédias que levarão ao nosso próprio fim.