Sexta-feira, Abril 18, 2008

No programa de hoje

Bom dia, caros ouvintes. Estamos de volta, ao vivo, dos estúdios do "Permita-me uma palavra". No programa de hoje teremos muita diversão, muitas surpresas, muitas brincadeiras só pra você... Você não perde por esperar!
Que falta de originalidade, não é? Você que riu (nem que seja só por dentro) quando leu esta introdução deve saber de onde vem isto, certo?
Não tenho dúvidas que a TV transformou o mundo. Transformou os meios de comunicação... em meios de intromissão. Transformou a realidade do mundo... em "super realidade" relativa à audiência que pode proporcionar. Transformou as pessoas... em imbecis.
Mas culpando a TV parece que estamos tirando nossa culpa, a dos seres humanos. Falando assim, como muitos já falaram (coisas do tipo: "Fora RBS!" ou "Globo mente!") parece que somos meras vítimas de um criminoso impessoal. O mesmo se aplica ao governo, à empresa onde trabalhamos...
Não somos vítimas, somos réus. Somos culpados de termos uma curiosidade mórbida para ver em quantos pedaços os Mamonas Assassinas ficaram após o acidente. Temos que saber exatamente tudo o que aconteceu com o caso Isabella (http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL386739-5605,00.html).
Temos que saber de tudo isto, mesmo que digamos depois: "que horror, quem poderia fazer uma coisa dessas?". Mas: "Meu amor, tira da novela um pouquinho, deixa eu ver as imagens do acidente no jornal!".
Isto é só uma parte de tudo. O que falar dos programas que sempre começam com a chamada do início deste 'post'? Quem vê de fora (existe alguém hoje que seja "de fora"? Talvez ETs, se o sinal não chegar no planeta deles!) até parece que o "programa de hoje" vai mudar a sua vida. Talvez mude, talvez fique mais idiota que ontem.
Não me entendam mal. Eu sou um adicto da TV também. Adoro desenhos animados (de preferência os mais antigos ou os da Pixar), filmes, alguns seriados e noticiários... Mas a enxurrada de informações vêm da TV e não do nosso cérebro. Ficamos passivos, parados, algumas vezes até com a boca aberta e alguns até babam... Típicos efeitos de dopados. Nossa criatividade vai dormir, e mesmo depois de pararmos de olhar TV, demora a acordar. Nossa imaginação se resume a tentar imitar na vida alguma coisa que viu na novela ou no filme.
Somos culpados. Somos culpados por não conseguir dizer não. Por não recusarmos a primeira dose (depois da primeira, é muito mais fácil aceitar a segunda!). Por não desligar a TV na hora de conversar com o parceiro. Por realmente ter a esperança que no "programa de hoje" alguma coisa vai nos fazer sentir mais felizes.
Dizer mais o quê? Ah, já sei: Tchau pessoal, até o próximo programa que vai ser fantástico!